A ABELHA E A FLOR – de Myrtes Mathias

Meu amor teve que ser assim:
puro e doce,
mas sem possibilidade de eternização.
Como a abelha e a flor,
que, efêmeras e dóceis ao destino,
num gesto inconsciente e belo
dão o melhor de si mesmas.

Mas um dia a abelha vem
e não encontra a flor;
outro dia a flor espera
a abelha que não virá jamais.
De tudo fica apenas um fruto,
ou um pouco de mel.

Mas o mundo é sempre melhor
depois que uma abelha encontra sua flor.
Meu amor teve que ser assim:
uma estranha forma de posse,
etérea, sutil,
incompreensível para o mundo
e para nós mesmos,
na sua busca de sublimação.

Um dia seus lábios ensaiaram um sorriso
que não se completou.
Um dia meus olhos procuraram os seus
e se fecharam para ocultar as lágrimas.

Nada mais restava que um poema.
Mas a humanidade é sempre mais feliz
quando aprende uma nova canção.

Pouco importa ao mundo
o autor ou o motivo.
Pouco importa a todos
que morra a abelha
ou que murche a flor.
Melhor assim.
Ninguém se lembrará de algo
que foi belo demais para ser eterno,
mas muitos, quase todos,
cantarão a nossa canção,
porque é a canção do princípio
e da razão de tudo: a canção do Amor…

(Extraído do Livro Bom Dia Amor – pgs.50-51)

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