O Mensageiro da Cruz – parte 1

Em anos recentes muitos parecem estar cansados de ouvir a mensagem da cruz; entretanto, damos graças a Deus nosso Pai, e o louvamos, pois ele reservou, por amor de seu grande nome, muitos fiéis que não dobraram os joelhos a Baal. Achamos, entretanto, que todos os servos de Deus devem saber por que, embora fielmente proclamem a cruz, vêem tão pouco resultado. Por que as pessoas ouvem a palavra verdadeira de Deus e no entanto suas vidas demonstram tão pequena mudança? Cremos que este assunto deve receber nossa maior atenção. Nós, como trabalhadores do Senhor, devemos saber por que o evangelho que pregamos falha em ganhar pessoas. Que humildemente oremos, pedindo que o Espírito de Deus derrame luz sobre nossos corações a fim de vermos onde falhamos.
Naturalmente, devemos dar atenção à palavra que pregamos. (Aqui não nos preocuparemos com os que pregam um evangelho errado, ou “outro” evangelho, pois sua fé já está em erro.). O que pregamos é a verdade, em perfeito acordo com a Bíblia. Nosso tema é a cruz do Senhor Jesus. O que proclamamos não é outro senão o Senhor Jesus, e este crucificado a fim de salvar os pecadores, tanto da pena como do poder do pecado. Sabemos que nosso Senhor morreu na cruz como substituto dos pecadores para que todos aqueles que crêem nele sejam salvos sem as obras. Entretanto, não somente sabemos que Cristo foi crucificado como nosso substituto, mas sabemos também que os pecadores e seus pecados foram crucificados com ele. Temos conhecimento completo do caminho da salvação. Estamos familiarizados com o segredo do morrer com Cristo e com o conseguir, pela fé, o poder de sua morte a fim de lidar com o ego e também com o pecado. Compreendemos claramente todos os ensinamentos relacionados com este assunto apresentados na Bíblia; e podemos apresentá-los tão bem de modo que todos os apreciem — tão bem, de fato, que quando pregamos a cruz de Cristo, o auditório parece prestar muita atenção e grandemente comover-se. Talvez tenhamos eloquência natural, o que aumenta ainda mais nossa capacidade de emocionar as pessoas — e grandemente ajuda, achamos, nossa obra.
Em tais circunstâncias, naturalmente esperamos que muitos incrédulos recebam a vida e que muitos crentes recebam a vida mais abundante. Entretanto, os resultados são outros, para surpresa nossa. Embora as pessoas, no auditório, pareçam estar emocionadas, descobrimos que meramente retêm na memória as palavras que falamos sem ganhar o que espiritualmente desejamos para elas. Não há mudanças notáveis em sua vida. Compreendem o ensino, mas sua vida diária não é afetada. Simplesmente armazenam o que ouvem, sem que isso tenha qualquer impacto prático em seus corações.
O motivo de um efeito tão contrário como este parece estar no fato de que o que você e eu possuímos é mera eloquência, palavras ou sabedoria. Por trás de nossa palavra não existe o poder que estimula o coração. Nossa palavra e voz podem ser excelentes, entretanto, o poder de transformar vidas está ausente delas. Por outras palavras, embora possamos atrair as pessoas a fim de nos ouvir, o Espírito Santo não tem trabalhado juntamente conosco. E por isso nosso esforço não produz resultado permanente. Nossa palavra não causa nenhuma impressão indelével nas vidas das pessoas. As palavras podem fluir de nossa boca, mas de nosso espírito nenhuma vida é liberada a fim de alimentar e vivificar o auditório espiritualmente árido.
Ultimamente a palavra de Deus tem-me chamado a atenção contra este tipo de pregação. Não devemos procurar ser oradores aclamados pelas pessoas (pois não é o nosso Senhor o doador da vida?); antes, devemos ser meros canais através dos quais a vida dele possa fluir ao coração do homem. Por exemplo, ao pregarmos a cruz, devemos ser aqueles que podem conceder a vida da cruz aos outros. O que me fere grandemente é que, embora muitos hoje estejam pregando a cruz, os ouvintes não parecem receber a vida de Deus. As pessoas ouvem nossas palavras; parecem aprová-las e alegremente recebê-las; entretanto a vida de Deus não está presente.
Quão frequentemente, ao proclamarmos a mensagem da cruz as pessoas aparentam perceber o significado e o motivo para tal morte e podem parecer que estão profundamente comovidas nesse instante; porém não testemunhamos a graça de Deus operando em seu meio e fazendo com que elas realmente recebam a vida de regeneração. Ou, como outro exemplo, podemos pregar sobre o aspecto da co-morte da cruz. Explicamos o ensinamento tão clara e persuasivamente que muitas pessoas logo começam a orar e podem até mesmo decidir-se a morrer instantaneamente com Cristo a fim de experimentar a vitória sobre o pecado e o eu. Com o passar do tempo, entretanto, não percebemos nelas a vida abundante de Deus.
Tais resultados imperfeitos trazem-me muita angústia. Levam-me a humilhar-me perante Deus e a buscar sua luz. Ora, se você partilhar da mesma experiência, gostaria que se juntasse a mim em tristeza perante o Senhor e que juntos nos arrependêssemos de nosso fracasso. O que nos falta hoje são homens e mulheres que verdadeiramente preguem a cruz, e que a preguem especialmente no poder do Espírito Santo.

Com relação a isto, leiamos a seguinte porção da Palavra de Deus:

“Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem, ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha pregação não consistiam em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1 Coríntios 2:1-4).

Continua……

Autor Watchaman Nee
LIVRO: O Mensageiro da Cruz

DESTA PASSAGEM BÍBLICA O AUTOR ESBOÇA TRÊS COISAS, QUE VEREMOS NA PARTE 2 DE O MENSAGEIRO DA CRUZ.

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2 Respostas

  1. Maria Valda Pereira do Nascimento

    Olá Amada
    Como segue seu Blog?
    Já tentei e não consegui…

    Fique na paz.
    pastora, Maria Valda

    21 de maio de 2011 às 0:34

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